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domingo, 17 de julho de 2022

A cada 19 horas, uma criança ou adolescente é vítima de estupro no RN

A cada 19 horas, uma criança ou adolescente é vítima de estupro no RN



A cada 19 horas, uma criança ou adolescente foi estuprada no Rio Grande do Norte na primeira metade de 2022. Dados da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análise Criminal da Secretaria de Estado de Segurança Pública e da Defesa Social (Coine/Sesed) mostram que no primeiro semestre deste ano 118 crianças (0 a 11 anos) e 111 adolescentes (12 a 17 anos) foram violadas sexualmente em todo o Estado, o que representa um aumento de 4,5% em comparação com o mesmo período do ano passado.


A soma dos crimes nestes dois grupos etários corresponde a 73,3% de todos os estupros registrados no RN de janeiro a junho, independentemente da idade. Foram 312 crimes desse tipo contabilizando todas as idades. O número é 4,3% maior do que o contabilizado no primeiro semestre de 2021: 299. Neste ano, março foi o período com o maior registro de estupros entre todas as idades: 75 casos foram denunciados à polícia.


Números

Estupros por faixa etária no primeiro semestre de 2022


0 a 11 anos: 118 casos;

12 a 17 anos: 111 casos;

18 a 24 anos: 25 casos;

25 a 29 anos: 18 casos;

30 a 34 anos: 9 casos;

35 a 64 anos: 26 casos:

65 ou mais: 1 caso;

Sem informação: 4 casos;

Total: 312 estupros.


Estupros  por faixa etária no primeiro semestre de 2021

0 a 11 anos: 108 casos;

12 a 17 anos: 111 casos;

18 a 24 anos: 21 casos;

25 a 29 anos: 9 casos;

30 a 34 anos: 17 casos;

35 a 64 anos: 23 casos:

65 ou mais: 2 casos;

Sem informação: 8 casos;

Total: 299 estupros.


Para além dos números, o cenário é ainda mais grave, de acordo com Paoulla Maués, diretora de Planejamento da Polícia Civil. Isso porque a subnotificação é considerada muito alta, principalmente nas cidades mais afastadas dos grandes centros do Rio Grande do Norte.


“A subnotificação é enorme. Os hospitais, as unidades de saúde básica devem notificar a Polícia sempre que houver indícios de violação de direito da criança. A escola também tem que ter esse dever de notificar para a gente iniciar uma investigação. Normalmente a violência sexual é praticada várias vezes e a criança apresenta mudanças no comportamento, então é óbvio que a escola, por exemplo, que vê todo dia aquela criança, vai perceber algo estranho”, afirma Maués.


Se atentar a pequenos sinais é determinante para identificar uma possível violência, diz a delegada Paoulla Maués. “Às vezes uma criança que é extremamente calma, começa a ficar agressiva, de repente ela começa a ter comportamento destoante do que ela tinha antes. Às vezes a criança dá esses sinais, mas é desacreditada, não é dada importância daquilo que ela está passando, que ela está dizendo porque a criança é desconsiderada”, acrescenta.


Veja abaixo os números do RN e como fazer denúncias contra abusos sexuais


Canais de denúncia


DPCA: R. Ângelo Varela, 1465 – Tirol (3232-6184);

Deam Zona Sul: R. Nossa Senhora de Candelária, 3401 – Candelária (3232-2530);

Deam Zona Norte: Fórum Varella Barca, Av. Guadalupe, 2145 – Potengi (98135-6792);

Plantão Deam: Av. João Medeiros Filho, 2141 – Potengi (3232-1547, 3232-6291 e 98135-6538);

Deam Parnamirim: R. Sub. Oficial Farias, 1487 (98123-4114);

Deam Caicó: R. Maria das Neves Dantas, 35 (3421-6040);

Deam Mossoró: R. Julita G. Sena, 241 (93135-6111).

Ouvidoria Geral de Direitos Humanos: 98147-3498 ou ouvidoria.semjidh@gmail.com;

Casa de Acolhimento: 99663-0124 ou 98623-3681.


Tribuna do Norte

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